Technè

Tecnologia & Experiência do Usuário no C.E.S.A.R

TV Interativa: Analógica, Digital ou Conectada

Posted by Jorge Cavalcanti On fevereiro - 7 - 2011

Você já pensou em interagir com um aplicativo na sua televisão? Não? Isso é estranho? Hoje isso é pura realidade. O brasileiro ganhou e muito com a chegada da TV Digital e Internet-TV: áudio e vídeo de qualidade, multiprogramação, INTERATIVIDADE e conteúdo sob demanda. O que isso muda? De cara você deixa de ser só telespectador, e passa a ser chamado também de usuário.

No Sistema Brasileiro de Televisão Digital(SBTVD) as emissoras poderão transmitir sinal totalmente digital – ou seja, áudio, vídeo e aplicativos como dados, bits… 0 ou 1. Esta mudança leva a uma alteração gigante no processo televisivo, seja na produção de conteúdo, na transmissão da informação ou na recepção dos serviços na sua casa. Isto tudo pode ser encarado como um desafio estimulante para todos os envolvidos no ecossistema: academia, fabricantes, emissoras, agências de publicidade e claro, as empresas de software – os mais novos “integrantes” no mundo da TV.

Mas afinal, o que é interatividade? No contexto de TV a interatividade “ideal” pode ser definida como sendo a participação colaborativa dos telespectadores/usuários, gerando feedback que permita adaptação do conteúdo originalmente transmitido. Ou seja, a informação que você fornece altera o conteúdo que você esta visualizando. Nesse processo cíclico os usuários passam a ser co-autores do conteúdo propagado, não existindo distinção clara entre quem envia e quem recebe a informação, e sim uma bidirecionalidade entre eles (figura abaixo). Considerando esse cenário, podemos até falar na formação da TV 2.0, onde o usuário deixa de ser simplesmente passivo e começa a atuar como também provedor de conteúdo.

Figura 1: Processo cíclico entre emissor e receptor

Que maravilha… Aplicativos, internet e interatividade na TV. Então teremos um PC na TV, é isso? NÃO. São 2 “paradigmas” distintos. Na internet a principal maneira de “contar uma história” é baseada em texto, muitas vezes com um caráter informal onde o usuário é quem seleciona o conteúdo que deseja – imagem e vídeo é algo quase sempre complementar. Na TV a imagem sempre vai prevalecer, o vídeo é tudo. O “tom” é mais formal, e o lado cultural ainda predomina ao juntar família e amigos para assistir jogos, filmes entre outros em frente a uma única TV, diferente do PC onde a experiência é mais individual. Por fim, a TV alcança mais de 95% da população, enquanto que mais de 112 milhões de brasileiros ainda não usam a internet [ComScore/2010].

Então o que esperar da televisão interativa?

Figura 2

Essa é uma das interrogações que só o tempo vai responder… Interatividade televisiva é algo “ainda novo” no mundo todo. Nos países que possuem um padrão para TV Digital aberta interativa, nenhum modelo realmente vingou. Aqui no Brasil existe forte apoio do governo, apesar da demora nas definições normativas.

Desde quando existe interação com a TV? Para responder essa pergunta, podemos fazer uma viagem ao passado vendo alguns exemplos que já aconteceram na TV analógica (Analógica? Isso mesmo :) ):

Wink Dink and You

Wink Dink and You, 1953 – programa interativo na TV analógica Preto e Branco. Uso de Lápis e “Papel”… Isso mesmo. Apresentador “controla” o ritmo no conteúdo propagado e você na sua casa participa através de um plástico “estaticamente colado” na tela da TV. Sensacional – isso em 1953.

tv_pow

TV POWWW, 1978 – Game interativo baseado no jogo Shotting Gallery, ganhou inúmeras variantes. Chegou ao Brasil através do SBT em 1984. Telespectador ligava para a emissora, e falava “POW” para atirar.

Voce Decide

Você Decide, 1992 – Case de sucesso para Globo onde os telespectadores escolhiam o bloco final do programa através do telefone.

bbb

Big Brother, 2002, Criado pela Endemol e reproduzido no Brasil pela Globo. Telespectador interage por SMS, telefone e internet escolhendo qual participante deve ou não ficar na casa.

Existem vários outros exemplos, mas esses são marcos que mostram como muito antes da digitalização a interatividade já podia ser feita.

E interação na TV Digital? As transmissões começaram em 2007, e até agora nada de aplicativo. OPA !! Em 2007 foi “lançada” a TV Digital ABERTA. Vale lembrar que a SKY, NET etc. realizam transmissão digital bem antes de 2007, e o C.E.S.A.R desenvolve aplicativos para TV fechada desde 2006. A empresa OpenTV domina o mercado global de interatividade na TV fechada, e tem o C.E.S.A.R como parceiro oficial no desenvolvimento de aplicativos – Isso mesmo :) . Abaixo a tela da aplicação que foi ao ar pela NET Digital na Copa do Mundo de 2006, carnaval do Rio e Pan-Americano 2007.

OpenTv
Imagens do projeto CESAR/NET

Com mais de 3 anos de TV Digital brasileira, a interatividade ainda não deslanchou. O sistema, apesar de especificado, é raro nas TVs comercializadas. O governo ainda não liberou o conjunto de testes (Test Suite) conforme prometido, fazendo com que as poucas TVs no mercado não tenham passado por testes oficiais. Também não existe um modelo de negócios que estimule o desenvolvimento por parte da comunidade de software.

Tecnicamente falando, o middleware Ginga (plataforma da TVD Aberta) permite execução de aplicações NCL e Java, podendo estas se comunicar entre si, mas as complexidades principais do desenvolvimento de aplicativos não são de caráter técnico, e sim comportamentais e políticos. Desenvolver aplicações para TV aberta é atingir público em massa – ou seja, mais de 180 milhões de pessoas (95% da população) – e quem são os principais usuários da TV brasileira?

Usuario TV Digital Aberta
Imagens retiradas dos blogs: Pensando Bem e Blog do Valente

Isso mesmo: crianças, idosos e pessoas simples que muitas vezes nunca interagiram com uma aplicação.

Enquanto o próprio governo não apresenta definições claras para a TV Digital aberta, a Internet-TV ou TV conectada deslancha com fabricantes e provedores de conteúdo apostando forte no mundo todo.

TV-Conectada
Imagens retirados dos sites: slashgear.com e samsung.com

Aqui no Brasil podemos falar que banda larga ainda está longe de ser algo popular, mas no ritmo atual a TV ligada à internet parece ser bem mais promissora. Achar esse tipo de TV no mercado é bem mais fácil que encontrar o famoso selo DTVi (TVs com Ginga) nas “prateleiras” das lojas, sem falar que o modelo de comercialização de aplicativos via AppStore já é um sucesso. Um bom exemplo é a Samsung, que já registrou mais de 2 milhões de downloads no mundo todo através de sua loja de aplicativos (Samsung TV Apps).

Bom, uma coisa é certa: quem vai ditar o ritmo destas tecnologias é o público. A TV analógica vai cedendo espaço cada vez mais para a TV Moderna (Digital ou conectada), e cabe a nós consumidores escolher a melhor opção – afinal, interagir na TV precisa e muito da avaliação daqueles que realmente validam o mercado: os usuários.

Em outro momento falaremos sobre os desafios ligados ao telespectador, e outros relacionados à TV Digital Aberta.

Jorge Fonsêca – @jcbfonseca (From CESAR TV Lab).

3 Responses to “TV Interativa: Analógica, Digital ou Conectada”

  1. +- says:

    falou pouco do cenário nacional e sua atualidade… quem implementa o ginga hj? em q nivel de maturidade?

  2. Jorge says:

    Olá,

    A idéia não era mesmo detalhar parte do ginga, mas sim da um panorama de interatividade, seja na TV analogica, digital ou conectada.

    Sobre o ginga: É uma especificação. A parte NCL/LUA ja bem consolidada pela PUC-RIO, mas cada fabricante pode ter sua propria iumplementação. A parte JAVA, formada peloa JavaDTV (API SUN) + as chamadas APIs exclusivas, pode também ser implementada por qualquer fabricante.

    Hoje já temos no mercado algumas TVs:
    LG , Sony, Philips e Panasonic.

    E também alguns set-top boxes.

    No próximo posts falaremos sobre desafios da interação na TV.

  3. Legal teu texto Jorge. Trabalhando com aplicações interativas para a TV aqui na NET, as vezes fico um pouco incomodado ao ver a falta de aproveitamento dos desenvolvedores de DTVi para com a experiência de empresas como OpenTV, NET, SKY, entre outras, além do próprio C.E.S.A.R.

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